quarta-feira, 12 de março de 2008

Musculação para adolescente

Musculação para adolescentes: sim ou não?

Muitas pessoas me perguntam se o adolescente em fase de crescimento deve ou não fazer musculação. A principal dúvida é se a musculação atrapalha o desenvolvimento e o crescimento do jovem.


Não há documento, pesquisa, enfim, nada que comprove que a musculação atrapalha o crescimento do adolescente.

Muito pelo contrário, há alguns estudos, pesquisas e testes, como o de um professor de Educação Física da Universidade de Taubaté - UNITAU que, além da parte teórica de pesquisas, testou dois grupos de jovens de 13 e 14 anos, onde um dos grupos fez somente as aulas de Educação Física escolar e o outro grupo, além das aulas de Educação Física, fez também três aulas semanais de musculação.

Os dois grupos de 15 adolescentes foram examinados por um médico e avaliados por um professor no início e após 3 meses de seguras. Durante este período, os adolescentes realizaram 3 aulas semanais de Educação Física no ginásio de esportes do colégio, sem pesos. Um dos grupos, além destas aulas, realizou 3 treinamentos por semana de musculação, com duração de 30 minutos, usando cargas pequenas.


Exercícios realizados

Salto de Polichinelo;
Elevação de pernas, suspenso no espaldar;
Extensão na mesa Romana;
Pullover;
Pulley frente;
Elevações laterais;
Rosca direta de Bíceps;
Tríceps francês.
Eram feitas 3 séries de 10 repetições.

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Resultados obtidos

O grupo que só fez aulas no colégio, após 3 meses tinha crescido em média 1,50 cm. O grupo que praticou musculação, além das aulas do colégio, cresceu em média 2,83 cm.

Assim, comparando os valores obtidos, vemos que a musculação não mostrou desvantagens no crescimento da estatura, muito pelo contrário. Diversos autores já estudaram esta questão, como Dvorkin (1982), citado por Hegedus e Almeida (1986), que recomenda que o início (entre 11 e 13 anos) seja cuidadoso e orientado quanto ao levantamento de peso e trabalho resistido. Ele afirma que é um mito que os ossos se detenham em seu crescimento em conseqüência do treinamento com cargas.

Recentemente foi lançada no Brasil, uma excelente obra sobre o tema: Treinamento de força para jovens atletas. De qualquer forma, é essencial que o adolescente faça uma avaliação física antes de iniciar um treinamento com pesos e fazê-lo somente com acompanhamento de um bom profissional. O jovem, por ser muito ativo, costuma gostar muito de aulas dinâmicas, como os circuitos, onde são intercalados exercícios aeróbios (caminhada, corrida, bicicleta, step etc) com exercícios localizados (com pesos). Este é um bom começo.

Fonte
Jornal da Musculação - N°41.

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Musculação para Adolescentes


Este tema tem sido tratado de maneira inadequada em nossa imprensa, com matérias exagerando os riscos do treinamento com pesos para adolescentes.
Desta maneira, muitos jovens podem estar sendo afastados de uma atividade física que como qualquer outra é promotora de saúde e aptidão.


Inicialmente deve ser esclarecido que os riscos do treinamento com pesos para crianças e adolescentes já estão bem estabelecidos em literatura científica e são menores do que em muitas outras atividades físicas consideradas seguras.
A imagem “http://www.sanny.com.br/imagens/fitnews/ado.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Atualmente não se admite mais que afirmações e condutas sejam baseadas em hipóteses teóricas, sem a preocupação de buscar fundamentação em resultados de trabalhos científicos, ou pelo menos nas impressões pessoais de quem tem experiência na área. Esses resultados ou impressões são as chamadas "evidências" ou seja, respostas da natureza que podem indicar com mais segurança onde está a verdade. Não existem evidências de que a musculação para adolescentes seja muito perigosa. Como em toda atividade física alguns riscos existem, mas são poucos e facilmente evitáveis.

Uma das afirmações mais comuns encontradas em publicações não especializadas é a de que o desejo dos adolescentes aumentarem a massa muscular é anormal ou patológico. Não conhecemos estudos de psicologia que justifiquem essa afirmação. A impressão de muitos profissionais envolvidos com jovens praticantes de musculação é que não existe nada de anormal com esses adolescentes.


Nossa opinião pessoal é de que a auto-afirmação entre adolescentes é uma necessidade mais do que um desejo. Nesse sentido, a única preocupação que os adultos devem ter com esses jovens é no sentido de evitar que essa necessidade seja canalizada exclusivamente para uma área, seja esportiva ou intelectual, em detrimento de uma formação global DO indivíduo. indivíduo.A imagem “http://porta-voz.com/dbfiles/picture_textdocs_452__variant_full.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

O prejuízo ao crescimento estatural dos adolescentes praticantes de musculação é freqüentemente apresentado como um risco do que chamam de "excesso de musculação". Não há como definir o que seja "excesso de musculação". O desempenho atlético em geral parece ser diretamente proporcional à massa muscular, e para os padrões estéticos de muitos, quanto mais músculos, melhor.


Na realidade, excesso de treinamento é o que deve ser evitado। Atividade física excessiva de qualquer tipo pode diminuir a produção dos hormônios sexuais, o que é um dos indicadores da situação conhecida como "over-training". Nessa situação, o ganho de massa muscular diminui, pode ocorrer atraso no desenvolvimento das características sexuais secundárias, mas o que acontece com o crescimento estatural dos adolescentes não é conhecido.
Pilates Uma das possibilidades é que ocorra um aumento da estatura, pois os hormônios sexuais fecham as epífises ósseas. Na musculação, todos os técnicos e professores bem formados sabem que o excesso de treinamento deve ser evitado para que possa ocorrer aumento adequado de massa muscular.
Recreação Assim sendo, excesso de treinamento não é comum na musculação, sendo muito mais freqüente em outras atividades esportivas ou mesmo recreacionais.

O treinamento para hipertrofia também tem sido apontado como indesejável para adolescentes com a justificativa de que pode produzir lesões ou mesmo doenças.

No entanto, não há evidências de que o treinamento para hipertrofia esteja associado com prejuízos para a saúde.



A tendência atual é utilizar treinamento para hipertrofia para todos os objetivos da musculação. Força, potência e resistência musculares são qualidades de aptidão inseparáveis do aumento em volume dos músculos esqueléticos.


O aumento da taxa metabólica e uma melhor capacidade homeostática bioquímica dependem diretamente da massa muscular. Os exercícios com baixas repetições oferecem a melhor associação de qualidades possíveis de serem estimuladas pela musculação, além de maior segurança cardiovascular. Por essas razões, pessoas idosas, debilitadas e convalescentes estão atualmente sendo orientadas em treinamento para hipertrofia. Não há evidências sugestivas e não é sensato imaginar que adolescentes não possam fazer o que fazem os idosos.

Algumas lesões podem ocorrer na prática da musculação, mas não são freqüentes. Nos EEUU, onde 45 milhões de pessoas se exercitam regularmente com pesos, menos de 1% das consultas médicas em serviços de emergência são devidas a lesões em treinamento com pesos.

Além disto, a maioria das lesões ocorrem nos levantamentos de peso competitivos e não no treinamento com pesos. Lesões graves das epífises ósseas e fraturas são muito raras.


Estatísticas mostram que lesões como as distensões de músculos e ligamentos podem ser precipitadas pelo uso de cargas excessivas, treinamento mal orientado e equipamento mal projetado. Cargas excessivas em musculação são aquelas que impedem a execução correta dos movimentos, sendo a sua utilização um erro técnico primário, detectado por qualquer instrutor.

Ao contrário, esforços excessivos são freqüentes e inevitáveis em atividades como o futebol e outros jogos com bola. Tais esforços produzem as mesmas lesões encontradas na musculação, com muito mais freqüência, e a mídia não parece estar preocupada com elas.

Praticantes de todas as modalidades esportivas também costumam freqüentar academias de musculação, e se muitos deles apresentam lesões, isto não significa que tais lesões tenham sido produzidas pelo treinamento com pesos.

Na verdade, o treinamento com pesos pode ser terapêutico para muitas lesões esportivas, e também profilático। Esportistas em geral, incluindo crianças, apresentam menor incidência de lesões em suas modalidades quando estão protegidos pelo fortalecimento muscular induzido pelo treinamento com pesos.

Na verdade, o treinamento com pesos pode ser terapêutico para muitas lesões esportivas, e também profilático। Esportistas em geral, incluindo crianças, apresentam menor incidência de lesões em suas modalidades quando estão protegidos pelo fortalecimento muscular induzido pelo treinamento com pesos.A elasticidade dos músculos submetidos ao treinamento para hipertrofia aumenta, ao contrário de afirmações que às vezes encontramos, e não há evidências de que as articulações possam ser prejudicadas por qualquer mecanismo. Os tendões são fortalecidos pelo treinamento para hipertrofia, e as rupturas às vezes apresentadas por atletas em esforço máximo são, provavelmente, devidas ao uso de anabolizantes. Também não existe a mais remota evidência de que lesões cardíacas possam ser atribuídas ao treinamento com pesos, com ou sem excessos.

Outro erro comum é confundir suplementos alimentares com drogas anabolizantes, ou imaginar que a utilização de suplementos possa ser o primeiro passo em direção às drogas. A impressão da maioria dos profissionais envolvidos nessa questão é que os suplementos podem afastar os praticantes das drogas, por satisfazerem a necessidade psicológica que algumas pessoas têm de utilizar algum "aditivo" ao treinamento. Esses produtos são alimentos industrializados que têm a qualidade de trazer praticidade para a alimentação dos esportistas, embora as suas apresentações em pó, comprimidos, líquidos concentrados ou cápsulas lembrem remédios. Não existem evidências de prejuízos reais à saúde decorrentes do uso sensato de suplementos alimentares.

Marcos Vicentti

O maior risco para a saúde dos esportistas em geral é a tentação do uso de drogas que possam favorecer o desempenho ou os resultados do treinamento.



Entre essas, as mais utilizadas são os esteróides ou andrógenos anabolizantes. Entre seus efeitos estão a hipertensão arterial, dislipidemia, aterosclerose, tromboses, infartos cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, hemorragias digestivas, gangrenas, esterilidade, hipogonadismo, hepatite, degeneração hepática, estímulo para alguns tipos de tumores, agressividade excessiva e depressão grave. Fato inegável é que muitos praticantes de musculação são usuários dessas drogas, mas deve ser lembrado que em outras áreas esportivas os mesmos produtos são amplamente utilizados.

Apesar disto, não se pode condenar o esporte em função de que muitos de seus adeptos utilizam drogas. Também muitos são os exemplos de homens e mulheres que redefiniram suas vidas no sentido da saúde em função da prática esportiva. Todos os setores da nossa sociedade estão permeados pela utilização de drogas em geral, seja por razões de estímulo para produção artística e intelectual, desempenho físico ou simplesmente prazer. Esse panorama inclui o tabaco e o álcool, responsáveis por muitas doenças, mortes e dramas sócio-familiares.

As drogas constituem hoje uma das mais sérias ameaças à saúde das pessoas, e nesse sentido, a promoção de um estilo de vida saudável pode ter efeito antagônico ao problema. A musculação tem a qualidade de cativar as pessoas, e a adolescência é uma época em que as experiências de vida são particularmente marcantes. Assim sendo, desestimular os jovens da prática da musculação pode significar a perda de uma forte motivação para o caminho da saúde física e mental.





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

MUSCULAÇÃO, SAÚDE E LONGEVIDADE

MUSCULAÇÃO, SAÚDE E LONGEVIDADE:

Até meados do século XX a comunidade científica ainda tinha algumas dúvidas sobre a relação da atividade física habitual com a saúde e a longevidade.
Na época, em contraposição ao conceito de que atividade física promove saúde e longevidade, havia a hipótese de que as pessoas geneticamente favorecidas para melhores condições de saúde e longevidade também tinham mais dispositivo geral e por isso também eram mais ativas.
Com o passar dos tempos, diversos estudos populacionais puderam fornecer bases epidemiológicas e estatísticas sólidas para o conceito atual sobre o assunto.

Atualmente se sabe que a base da saúde e da longevidade é genética, com pessoas predispostas a viverem mais tempo e com menos doenças, mas a influência de fatores ambientais é grande e pode contribuir decisivamente para o resultado final.

Por um lado, fatores ambientais importantes são a atividade física, a boa alimentação e o repouso adequado, e por outro lado, a ausência de fatores nocivos como o estresse emocional, as drogas, a falta de repouso, a poluição do meio ambiente e a exposição a agentes patogênicos, como no trabalho insalubre e na ausência de saneamento básico.

No que diz respeito à atividade física, seus efeitos positivos ocorrem na prevenção de doenças que poderiam abreviar a vida e na melhoria da condição física, para que as atividades da vida diária sejam realizadas sem grandes esforços e sem maiores riscos para a saúde.

Os primeiros estudos realizados sobre os efeitos da atividade física na saúde levaram a resultados posteriormente contestados, mas que influenciaram toda uma geração de profissionais.

Na época em que o movimento fitness ganhava popularidade, vendia-se a idéia de que os exercícios aeróbios (popularmente chamados aeróbicos) eram os únicos capazes de estimular a saúde e melhorar a qualidade de vida por meio da aptidão física adequada.

Associações de profissionais que compartilhavam dessa visão filosófica do tema foram constituídas, e os estudos científicos realizados sob a sua égide enfocaram os exercícios aeróbios.

As conclusões desses trabalhos mostravam efeitos saudáveis da atividade física, mas enunciados como efeitos dos exercícios aeróbios.
Na realidade, os outros tipos de exercícios não haviam sido estudados.

Esportista Cooper


Como não poderia deixar de acontecer, logo essa falha no enfoque do problema foi percebida, e trabalhos científicos sobre os efeitos de outros tipos de exercícios começaram a ser publicados.
Trabalhos sobre os efeitos de outras formas de atividade física também começaram a aparecer, como o estudo das populações que tinham trabalho braçal. Os resultados desses trabalhos mostraram que um dos fatores ambientais mais deletórios saúde, qualidade de vida e longevidade, era o sedentarismo.

As evidências apontaram para o conceito de que qualquer tipo de atividade física promotora de saúde, no seu sentido mais amplo.

Em recentes revisões de literatura, as mais importantes entidades científicas internacionais endossaram esse novo conceito, incluindo aquelas vinculadas historicamente com os exercícios aeróbios, o que demonstra o reconhecimento de um erro de enfoque, mas também da idoneidade.
Como exemplo dos novos tempos temos as campanhas internacionais de saúde pública, que preconizam evitar o sedentarismo sem sugerir que se realizem exercícios aeróbios, estimulando como alternativas ou adição aos esportes, as atividades físicas laborativas e de lazer, que geralmente não são aeróbias.

André Valentim/Strana
Academia em Copacabana: sala de musculação para a terceira idade

Muitos dos trabalhos que contribuíram para a mudança dos conceitos estudaram os exercícios resistidos, mas o estudo do trabalho braçal também foi importante, visto que os esforços na musculação mimetizam muitas das atividades de trabalho.
Além disso, algumas evidências sugerem que para alguns objetivos de saúde e qualidade de vida os exercícios resistidos são superiores.
Resumindo esse aspecto da questão, podemos dizer que a musculação é no mínimo equivalente aos exercícios aeróbios na prevenção das doenças cardiovasculares como o infarto, o acidente vascular cerebral e a insuficiência arterial periférica, todas devidas aterosclerose, por combater as condições predisponentes como o colesterol alto, a obesidade, o diabetes e a hipertensão.
Evidências sugerem que os efeitos da musculação a longo prazo sejam superiores aos dos exercícios aeróbios em vários aspectos: controle da gordura corporal, controle do diabetes, prevenção da osteoporose, prevenção de dores reumáticas, aptidão física para a vida diária e prevenção de situações de risco de acidentes cardiovasculares agudos.

Diversos desses efeitos são devidos ao aumento de massa muscular e de força, que não sao estimulados pelos exercícios aeróbios.
O único parâmetro de aptidão física que é melhor estimulado pelos exercícios aeróbios em relação a musculação o consumo máximo de oxigênio (VO2 máx).
Esse parâmetro já foi usado como indicador de saúde e de qualidade de vida no aspecto da aptidão, o que atualmente não é mais aceito.

A saúde de quem faz exercício aeróbio tende a ser estimulada porque a pessoa realiza atividade física, que casualmente é de um tipo que aumenta o VO2.
Os esforços favorecidos pelo aumento do VO2 não são habituais na vida diária: ou são esforços muito intensos ou de média intensidade porém prolongados.
Os esforços diários são intensos e curtos, embora repetidos, como na musculação, ou são muito suaves porém prolongados (caminhar, por exemplo).
A musculação favorece todos esses esforços, razão pela qual a base da reabilitação de pessoas idosas ou debilitadas.
Além disso, o aumento de força muscular faz com que nas tarefas diárias ocorra menor aumento de frequência cardíaca e da pressão arterial, evitando acidentes cardiovasculares agudos.

Muitos profissionais ainda desconhecem os aspectos acima expostos e alguns costumam ter receio quanto à segurança da musculação em condições especiais de saúde.
Esse temor no está fundamentado em evidências, que na realidade são tranquiilizadoras nesse aspecto.
Muitas vezes profissionais desatualizados indicam apenas exercícios aeróbios com a idéia de que essa atividade seja mais suave do que a musculação, o que também não é real. Assim sendo, em função do desconhecimento, ainda não atingimos a situação de indicação fundamental dos exercícios resistidos para promoção de qualidade de vida, saúde e consequentemente longevidade.
Prevemos no entanto, com base nas evidências disponíveis, que este será o futuro mais ou menos breve, e que será vivenciado pelos profissionais mais jovens.

No entanto, um alerta deve ser colocado.
Muitos dos efeitos salutares da musculação e da atividade física em geral podem ser reduzidos ou mesmo revertidos para o lado dos efeitos indesejáveis pelo uso de drogas, principalmente dos anabolizantes hormonais.
Tal o caso do combate à aterosclerose e dos riscos de eventos cardiovasculares agudos, que podem ser favorecidos por efeitos das drogas como o aumento do colesterol, redução do HDL (colesterol bom), aumento da pressão arterial, estímulo ao diabetes e tendência a coagulação do sangue.
Estas não são considerações teóricas dissociadas da realidade, pois esses efeitos das drogas estão documentados, bem como diversos casos fatais, disponíveis para constatação dos que ainda acham que os riscos das drogas são pequenos.

Benefícios da atividade física

  • Melhora da velocidade ao andar e do equilíbrio

  • Melhora da auto-eficácia

  • Contribuição para a manutenção e/ou o aumento da densidade óssea

  • Auxílio no controle do diabetes, da artrite, das doenças cardíacas e dos problemas com colesterol alto e hipertensão

  • Melhora da ingestão alimentar

  • Diminuição da depressão

  • Redução da ocorrência de acidentes, pois os reflexos e a velocidade ao andar ficam melhores

  • Manutenção do peso corporal e melhora da mobilidade do idoso

Prepare-se para a atividade

Idosos são orientados pelo Núcleo de Atenção à Saúde
  • Evite fazer exercícios físicos sob o sol forte

  • Tome água moderadamente antes, durante e depois da atividade física

  • Use roupas leves, claras e ventiladas

  • Não faça exercícios em jejum, mas evite comer demais antes da atividade física

  • Use sapatos confortáveis e macios

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

CORPO HUMANO

Figura 1: (a) Esqueleto tridimensional composto apenas por ossos;






(b) esqueleto básico composto unicamente por articulações.






Figura 3: Representação do biceps e suas linhas de ação correspondentes


Figura 2: Esqueleto em diferentes posturas




Figura 3: Representação do biceps e suas linhas de ação correspondentes
Figura 4: Movimento dos ossos com contração muscular



Figura 5: Exemplo de corpo humano construído em Body Builder Plus com a identificação dos músculos

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

ENTENDENDO O PROCESSO DE EMAGRECIMENTO






O excesso de massa corporal e a obesidade, normalmente estabelecidos a partir do índice de massa corporal (IMC - massa em quilos dividida pela estatura em metros ao quadrado), maior ou igual a 25 e 30 kg.m-2 respectivamente, tem aumentado nos últimos anos de forma alarmante, a ponto de serem classificados como epidemia (FLEGAL, 1999).

Ao contrário do que muitos podem pensar, tal problema não acomete somente a sociedade Norte Americana.

O mesmo estudo demonstrou que a tendência de ganho de massa corporal é mundial, atingindo países com diferentes níveis sócio-econô
micos, inclusive o Brasil.

Estudos transversais, realizados regularmente nos EUA, têm demonstrado uma clara tendência de crescimento das taxas de obesidade e sobrepeso.

Entre 1960 e 1962, cerca de 48% dos homens e 39 % das mulheres apresentavam excesso de massa corporal (IMC > 25 kg.m-2).
1988 e 1994, registrou-se um crescimento alarmante, quando o sobrepeso atingia 59 % dos homens e 50 % das mulheres, significando um crescimento de 22,9 % e 28,2 %, respectivamente (U
SDHHS, 1998).
Especificamente em relação a obesidade (IMC > 30 kg.m-2), sobre a qual diversas evidências demonstram clara agressão à saúde e qualidade de vida em saúde, observou-se uma prevalência de 34 % da população adulta Norte Americana (KUCZMARSKI et al., 1994).

Segundo as metas populacionais de saúde traçadas pelo Healthy People 2000, esperava-se que no ano dois mil esta prevalência estivesse em torno de 20 % (NCHS, 1997). Ao contrário das expectativas, os valores vêm crescendo.

Como resultado deste crescimento da população com excesso de massa, cresce paralelamente o número de serviços para esse público.

Evidências disso podem ser encontradas no alto número de especialistas em perda de massa, constan
tes lançamentos de dietas da moda, produtos milagrosos, centros de tratamento (Spas e centros de atividade física), apelos televisivos, entre outros.

Parece ser a área de emagrecimento um dos mais novos mistérios da era moderna, direcionando a atenção de diversos segmentos da sociedade para este tópico, que por sua vez paga um preço elevado pela alta prevalência de obesidade.
As conseqüências para a saúde do indivíduo que apresenta excesso de gordura parecem estar bem estabelecidas.
Problemas como coronariopatia, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo II, alterações plasmáticas de lipídeos, litíase biliar, gota, câncer, distúrbios psico-sociais, osteoartrite, sedentarismo entre outros, já foram amplamente relacionados à obesidade (USDHHS, 1998).


Em última análise, a conseqüência de todos esses problemas relacionados ao excesso de gordura é um aumento considerável nas taxas de mortalidade e morbidez, além de um considerável custo econômico, tanto para o governo, quanto para os indivíduos acometidos.

Com a finalidade de contornar esta situação, pode-se observar a grande variedade de procedimentos para a perda de massa, fato este que já era de se esperar visto o quão rentável é esse mercado de atuação.

Em relação ao entendimento do processo de emagrecimento, o discurso dos profissionais de saúde tem como paradigma duas grandes correntes de recomendação para o emagrecimento, até então não documentadas e/ou declaradas formalmente: uma baseada na matemática energética entre o que é gasto e o que é ingerido; e a outra que visa maximizar o metabolismo das gorduras.

O objetivo deste documento foi discutir os pressupostos conceituais que fundamentam as duas categorias de procedimentos ora definidos e estabelecer suas sustentações teóricas, possibilitando assim, a partir de uma compreensão mais abrangente do assunto, mais chances de sucesso no processo de orientação para a perda de massa.

O desenvolvimento do texto focalizou os motivos e justificativas que levam os profissionais a recomendar certos tipos de estratégias a fim de atingir as metas de emagrecimento.
A presente revisão visou, ainda, apresentar as estratégias de orientação da atividade física com base no modelo matemático, i.e. utilizando o dispêndio energético das atividades e suas relações com o emagrecimento.

Modelos teóricos de entendimento do emagrecimento

Apesar de jamais terem sido definidos na literatura nacional ou internacional, os discursos dos profissionais de saúde referentes às causas do emagrecimento podem ser divididos em duas categorias: de um lado, uma corrente que acredita na associação entre uma dieta balanceada e a necessidade de uma restrição energética adequada para a diminuição da gordura corporal e, do outro, defensores das idéias relativas à importância da maximização da utilização das gorduras como fonte primária de energia para o metabolismo energético.




A princípio, parecem os dois modelos tratar do mesmo assunto, contudo suas fundamentações contêm importantes diferenças.

Numa análise empírica, não baseada em achados ou relatos científicos, os profissionais que atuam direta ou indiretamente no processo de perda de massa têm suas idéias enraizadas em uma das duas correntes. Não é incomum, ainda, profissionais que se valem das duas correntes para justificar suas condutas.

Não se tem informação sobre a origem dessa dicotomização conceitual, contudo pode-se observar claramente sua existência no discurso dos profissionais que atuam na área de emagrecimento, em especial os de atividade física.

Por tal discussão se tratar de mais uma taxionomia relacionada ao metabolismo energético, para fins didáticos, tais correntes foram aqui definidas como Modelo Metabólico e Modelo Matemático de entendimento do processo de emagrecimento, cujas características encontram-se no Quadro 1.






Infelizmente, o processo de classificação leva muitas vezes a um extremismo.

Algumas condutas profissionais se valem de princípios característicos aos dois modelos apresentados, contudo tal atitude parece estar desvinculada de qualquer pressuposto.

Pode-se considerar, então, tal conduta como uma não adesão fiel a um dos modelos ora categorizados, que pode ser fruto de uma baixa fundamentação teórica, ou ainda de uma confusão de princípios.

Enquadram-se nesta situação aquelas recomendações que por um lado prezam uma dieta balanceada hipocalórica (modelo matemático) e por outro lado preconizam uma atividade aeróbia de baixa intensidade e longa duração com o intuito de se consumir mais gordura (modelo metabólico).

Na verdade, esta confusão de princípios é, provavelmente, a mais observável entre os profissionais que atuam na orientação para a perda de massa.

Considerações sobre o modelo metabólico


Os organismos vivos dependem das reações de transformação de energia para sua subsistência.

Os intercâmbios na natureza entre as manifestações de energia (química, elétrica, térmica, radioativa, luminosa e mecânica) garantem aos animais a capacidade de viver, se locomover, manterem-se aquecidos etc.

Os seres humanos, entre outros animais, possuem as vias aeróbia e anaeróbia de transformação de energia, sendo esta segunda subdividida em lática e alática. Para que haja a conversão energética necessária aos processos vitais do organismo, as três vias interagem entre si num processo contínuo.

De acordo com as condições da atividade, ora um sistema se sobressai, ora outro. Não existe uma ordem preestabelecida de solicitação dos sistemas, contudo, pelas nossas características fisiológicas, o sistema aeróbio é o responsável principal pelo equilíbrio dos outros dois sistemas.

Sua capacidade de transformação de energia, sob condições de esforço de baixa intensidade, é quase ilimitada, sendo esta via também a única com a capacidade de metabolização de todos os substratos energéticos.
Enquanto a via anaeróbia alática utiliza somente o sistema dos fosfagênios (ATP - CP), e a anaeróbia lática somente a glicose, o sistema aeróbio é capaz de utilizar o
s três macronutrientes normalmente ingeridos numa dieta diária balanceada: carboidratos, gorduras e proteínas (MCARDLE et al., 2001).
Vale ressaltar ainda que o sistema aeróbio é o responsável pela ressíntese da fosfocreatina durante o período de recuperação ou diminuição
da carga de trabalho, e ainda pela metabolização de aproximadamente 70 % de todo lactato formado durante o exercício (POWERS & HOWLEY, 2004).

Além daquilo que é ingerido diariamente e fica disponível para utilização a partir dos processos digestivos, os organismos possuem um considerável estoque destes nutrientes, sendo o principal a gordura subcutânea, como mostra a Tabela 1.


Os mecanismos de ajuste que determinam qual dos substratos é prioritariamente metabolizado são bastante complexos.

Essa seleção é fruto de uma interação entre diversos fatores que direcionam os processos metabólicos para o substrato mais adequado à situação imposta.

Apesar de atualmente se conhecer muito mais sobre a participação das proteínas (aminoácidos) no metabolismo aeróbio, sua colaboração percentual direta no processo continua sendo, na maioria das vezes, desprezível.

Estima-se em aproximadamente 2 % nas atividades com duração menor que uma hora e entre 5 a 15 % ao final de uma atividade com aproximadamente três a cinco horas .
Os carboidratos e, principalmente, as gorduras (na forma de ácidos graxos livres - AGL's) é que garantem combustível suficiente às necessidades diárias do organismo.

Segundo Åstrand & Rodahl (1992), a utilização da fonte energética é determinada pelos seguintes fatores de natureza bioquímica e fisiológica:

  • Ingestão de Carboidratos: uma ingestão alta de carboidratos determina um direcionamento do metabolismo para este substrato, basicamente pela ação da insulina que é secretada quando os níveis glicêmicos se elevam e pela sua ação inibidora sobre a enzima lipase hormônio sensível, que faz a mobilização dos triglicerídeos estocados nos adipócitos;
    • Níveis Plasmáticos de AGL's: a disponibilidade plasmática de ácidos graxos livres também é determinante para a taxa de utilização das gorduras. A regulação dos níveis plasmáticos de AGL durante a atividade física depende da ação da adrenalina (hormônio que atua na mobilização da gordura acumulada); níveis sangüíneos de lactato (que inibem a mobilização dos AGL's pela lipase); e concentrações do hormônio de crescimento;

    • Níveis de Cortisol Plasmáticos: hormônio secretado pelo córtex adrenal durante atividade física e mental que cataboliza os aminoácidos formando glicose. Atua também na mobilização de AGL a partir do tecido adiposo e impede a entrada da glicose na célula, obrigando a utilização das gorduras como fonte de energia;




    • Ingestão de Cafeína: a ingestão de cafeína, na forma de café normal, direciona o metabolismo para os AGL's economizando assim as reservas de glicogênio.Em uma excelente revisão sobre o assunto, POWERS & HOWLEY (2004) descreveram os diversos fatores que determinam o direcionamento do metabolismo para a via glicolítica ou lipolítica a partir do volume e intensidade das atividades físicas realizadas.

    • Intensidade do Exercício: é um dos fatores principais no direcionamento do substrato energético a ser metabolizado. Pela maior complexidade das reações, o metabolismo lipídico necessita de uma intensidade de exercício mais branda. Em atividades abaixo de 30 % do consumo máximo de oxigênio (VO2máx), praticamente todo o ATP ressintetizado provém do metabolismo lipídico, fato este que se altera a uma intensidade de aproximadamente 70 % do VO2máx, onde a maior parte da energia liberada para a ressíntese do ATP passa a ser fornecida pelo metabolismo dos carboidratos. Entre as intensidades de 30 e 70 %, na medida em que o exercício vai se tornando cada vez mais intenso, vai ocorrendo progressivamente uma mudança de predominância das gorduras para os carboidratos (Figura 1a).
    • Evidências sugerem que dois fatores principais estariam relacionados a esta alteração (GOLLNICK et al., 1986; BROOKS & MERCIER, 1994 & TURCOTTE et al., 1995):
      • o primeiro fator estaria relacionado ao recrutamento das fibras de contração rápida em intensidades de exercício mais elevadas.

    Tais fibras possuem uma menor reserva de triglicerídeos e uma menor capacidade de metabolizar as gorduras associada a uma maior capacidade de utilização dos carboidratos;

    • o segundo fator estaria relacionado a secreção de adrenalina e noradrenalina, que aumentam sua concentração na corrente sangüínea à medida que a intensidade do exercício se eleva.
    Tal alteração leva a um aumento do metabolismo glicolítico e, consequentemente, a um aumento das concentrações de lactato.
    O lactato, por sua vez, inibe a ação da lipase, enzima responsável pela hidrólise dos triglicerídeos em glicerol e AGL, diminuindo assim a oferta desse substrato para o metabolismo, levando a glicose à posição de combustível principal.







    • Duração da Atividade: à medida que a atividade aumenta de duração, vai ocorrendo um direcionamento do metabolismo para as gorduras (Figura 1b).

    Os fatores que regulam tal fenômeno estão relacionados, provavelmente, às variáveis que controlam a taxa de oxidação das gorduras (lipólise), mais especificamente à ação dos hormônios adrenalina, noradrenalina e glucagon (HOLLOSZY, 1990).
  1. Outro fator importante diz respeito ao hormônio insulina.
  2. À medida que a atividade realizada se estende por diversos minutos, os níveis sangüíneos das catecolaminas se elevam, promovendo assim uma maior liberação de AGL na corrente sangüínea, aumentando o metabolismo das gorduras.
  3. A insulina, como já comentado, inibidora do processo, tende a diminuir em exercícios de longa duração, favorecendo ainda mais o metabolismo das gorduras.





As evidências da literatura são bastante claras em afirmar quais os determinantes para o metabolismo ser direcionado para a via lipídica ou glicídica.

Tal conclusão não está aqui sendo questionada, porém a extrapolação de que esta via deva ser aquela utilizada na prescrição de exercício para emagrecimento é que está sendo discutida.

De acordo com as evidências sobre os determinantes para o metabolismo lipídico, é compreensível que a utilização dos exercícios aeróbios de baixa intensidade e longa duração, entre outras medidas que maximizem o metabolismo das gorduras, sejam adotadas (Quadro 2).
De forma aparentemente muito simplista e causal, começou-se a supor que a única maneira de metabolizar a energia estocada em excesso no corpo humano na form
a de gordura seria priorizando, durante a atividade física, a via aeróbia.

Apesar de atrativa, essa afirmativa carece de experimentos científicos que a sustente.

Mesmo considerando a importância da intensidade do trabalho no direcionamento do substrato utilizado, Romijn et al. (1993) demonstraram que altas intensidades de exercício, apesar de propiciarem uma participação percentual menor das gorduras como fonte energética, no cômputo final, i.e. levando-se em consideração uma menor participação percentual numa maior intensidade, propiciam a utilização de gorduras em quantidades semelhantes àquelas utilizadas em atividades de menor intensidade (Figura 2).





Numa comparação simulada entre duas intensidades de exercício com duração de 30 min, uma a 50 % do VO2máx e outra a 75 %, Wilmore & Costill (1994) demonstraram não existir diferença entre a quantidade de calorias gastas a partir das gorduras, apesar da intensidade da segunda atividade propiciar uma participação percentual deste substrato menor que na primeira situação (Tabela 2). A compreensão deste conceito passa anteriormente pelo entendimento da monitoração do substrato utilizado. Utilizando um sistema de análise de gases expirados, que possibilite a determinação do consumo de oxigênio (VO2) e da produção de gás carbônico (VCO2), é possível determinar a quantidade percentual de mobilização de gorduras e carboidratos. A variável que possibilita essa visualização é o quociente respiratório (QR), determinado como demonstrado abaixo.




Dependendo do valor observado numa determinada atividade, é possível estabelecer qual a colaboração percentual das gorduras e carboidratos como substrato energético. Para uma mobilização plena de gordura, é necessário que o QR esteja em 0,7 e para os carboidratos em 1,0. Mais detalhes sobre o entendimento deste conceito podem ser esclarecidos em livros básicos de fisiologia do exercício e/ou nutrição.




Como pode ser observado na Tabela 2, a modificação do QR proporcionado pelo aumento da intensidade da atividade resultou numa mesma mobilização das gorduras nos dois exemplos apresentados, apesar de uma menor participação percentual deste substrato a 75 % do VO2máx.

Com base nas evidências de Romijn et al. (1993) e Wilmore & Costill (1994), parece não existir fundamentação que apoie a principal justificativa das teorias que defendem a orientação de atividades de baixa intensidade com o intuito de otimizar o metabolismo das gorduras. Como demonstrado, intensidades mais altas propiciam uma participação percentual menor das gorduras, porém quando o total gasto é observado, essa diferença desaparece.




Considerações sobre o Modelo Matemático

Do outro lado da discussão apresentada até o momento, estão as evidências sobre as calorias ingeridas nas refeições e gastas durante diferentes tipos de atividades de lazer, laborativas e no repouso.

Citando a primeira lei da termodinâmica, a que prega que nenhuma energia é criada, e sim transformada, os alimentos ingeridos possuem energia, os organismos estocam essa energia ingerida (principalmente na forma de carboidratos e gordura) e as atividades diárias despendem energia.
Pela característica de cada sítio de armazenamento de energia (Tabela 1), as gorduras assumem um papel fundamental no que se refere à manutenção das energias ingeridas e não gastas.

A Caloria ou, mais precisamente, a quilocaloria (kcal), foi uma das unidades adotadas pelos especialistas com o intuito de traduzir o quanto de energia está contida em cada alimento, ou ainda quanto seria necessário para desempenhar uma determinada tarefa. Uma kcal seria a energia necessária para aquecer um litro de água em 1º C (POWERS & HOWLEY, 2004).

Numa visão tradicional, o excesso de massa ou o emagrecimento, seriam conseqüências de um desequilíbrio na balança energética (ingestão vs. dispêndio) positivo ou negativo, respectivamente.
Nesta visão, o ganho de massa se daria por um aumento na ingestão energética associada a uma diminuição ou baixo gasto energético, levando a um acúmulo de energia pelo organismo, que, como já comentado, utilizaria a gordura subcutânea como via de estoque.

Um quilo de gordura estocada eqüivale a aproximadamente 7.700 kcal (ACSM, 2000). Isso significa que um acúmulo diário de 400 kcal, seja por falta de uma atividade física regular ou pelo excesso de alimentos ingeridos, levaria a um aumento de massa de 1,58 Kg em um mês.

Apesar dessa estimativa estar matematicamente correta, o organismo dispõe de mecanismos para que oscilações extremas não aconteçam num curto espaço de tempo. Como exemplo, pode-se citar um clássico estudo de Benedict e colaboradores de 1919 (citados por POWERS & HOWLEY, 2004), onde foi demonstrado um aumento do metabolismo de repouso quando indivíduos eram submetidos a uma dieta hipercalórica.

Desta forma, é possível que uma grande oscilação energética alimentar gere apenas um pequeno aumento nos estoques energéticos humanos.

Mais recentemente, POWERS & HOWLEY (2004) apresentaram um modelo ligeiramente mais elaborado para o entendimento da balança energética. Segundo estes autores, pelos diversos recursos que o organismo dispõe para compensar a balança energética em situações de desequilíbrio, o termo "taxa de mudança das reservas de energia" deve ser priorizado. Neste entendimento, as modificações que ocorrem no organismo, incluindo as modificações do metabolismo de repouso, digestão e utilização dos alimentos e as alterações hormonais, estariam sendo consideradas. Para mais detalhes, sugere-se a leitura do texto original.

As calorias ingeridas proveniente dos alimentos podem ser facilmente determinadas se forem conhecidas as quantidades relativas de lipídeos, protídeos e glicídeos.

Para cada grama de lipídeo, tem-se o total de 9 kcal, sendo que para os demais nutrientes, apenas 4 kcal.
O cálculo do valor energético de um determinado alimento pode ser estimado a partir da computação parcial das calorias de cada nutriente e a sua conseqüente soma, totalizando o valor energético do alimento.
Atualmente, os rótulos dos produtos industrializados já contêm, na maioria das vezes, o valor total das calorias.
De acordo com o objetivo, deve-se fazer uma adequação das calorias ingeridas às necessárias para uma rotina diária.
O ideal para o desenvolvimento de um plano alimentar com essas bases é a consulta a um profissional da área de nutrição, que garantirá não somente uma dieta hipocalórica, como também o balanceamento dos macro e micronutrientes.


Vale salientar que as gorduras ingeridas na dieta, quando comparadas aos carboidratos e proteínas, apresentam mais que o dobro das calorias. Provavelmente por esse motivo, tem-se priorizado uma dieta hipolipídica para fins de emagrecimento, primeiro por facilitar a diminuição das calorias ingeridas na alimentação, e segundo por ser consideravelmente complicado atingir as calorias adequadas para o emagrecimento se a dieta possuir uma grande contribuição por parte das gorduras.

Evidências ainda sugerem que uma alta taxa de gorduras na dieta em relação aos carboidratos está associada a uma maior incidência de obesidade (MILLER, 1991), sem contar os maiores riscos para o desenvolvimento de doença arterial coronariana que alguns tipos de lipídeos podem proporcionar.

Há alguns anos, Jequier (1993) introduziu a idéia de que uma das causas do aumento de massa seria um excesso de gordura na alimentação.
Segundo este autor, um desequilíbrio entre as gorduras ingeridas e as gastas levaria a um acúmulo de gordura corporal, principalmente nos estoques subcutâneos.

Numa situação de balanço energético positivo a partir dos carboidratos e proteínas, o organismo aumentaria seu metabolismo para utilizar essa energia em excesso nas suas funções biológicas (síntese tecidual, transporte de nutrientes, estocagem de carboidratos ou liberação de energia para as atividades).

Já a gordura em excesso seria prontamente estocada na forma de triglicerídeos no tecido adiposo. Autores como Scott Powers e seus colaboradores parecem corroborar com essa teoria.

Para prescrição de exercícios com base nas calorias a serem gastas, pode-se utilizar a relação existente de 5 kcal despendidas para cada litro de oxigênio consumido (ACSM, 2000). Se forem conhecidas as exigências metabólicas da atividade desempenhada, pode-se estimar o total de calorias gastas. Se para um indivíduo de 80 kg, caminhar a 4 km.h-1 eqüivale a um dispêndio energético de aproximadamente 4,1 kcal.min-1, a partir de simples cálculos matemáticos pode-se saber qual o gasto em trinta minutos de atividade, ou mesmo de quantas sessões seriam necessárias para que este indivíduo perdesse um determinado excesso de calorias acumulado na forma de gordura.
Para este fim, três possibilidades podem ser utilizadas:








      • utilização das equações do American College of Sports Medicine (ACSM) para o cálculo do consumo de oxigênio em diferentes atividades (Quadro 3);




      • medida direta do consumo de oxigênio;

      • e utilização de tabelas que contenham os valores dos equivalentes metabólicos (MET) (AINSWORTH et al., 1993 e AINSWORTH et al., 2000).





O cálculo do consumo de oxigênio por minuto, e consequentemente das calorias gastas, pode ser realizado pelas equações do ACSM quando os trabalhos em esteira, pista, bicicleta ergométrica ou banco forem utilizados (Quadro 3).

A partir da determinação do consumo de oxigênio da atividade, que preferencialmente deverá ser realizada numa condição de steady state, pode-se converter o resultado em calorias, ou a partir de um determinado gasto objetivado, pode-se determinar o ritmo de corrida ou a carga de trabalho numa bicicleta.

Com algumas adaptações, pode-se adequar a medida direta do consumo de oxigênio em diferentes atividades, desde as cíclicas até as acíclicas.

Para as atividades acíclicas em que a medida direta do consumo de oxigênio não estiver disponível, pode-se utilizar as tabelas de METs, uma vez que atualmente dispõe-se de uma variedade bastante ampla de atividades. Um MET eqüivale ao consumo de oxigênio de 3,5 mL.kg-1.min-1 e expressa, em teoria, o metabolismo de repouso de um indivíduo. A conversão de MET para kcal pode ser realizada a partir da fórmula sugerida pelo ACSM (ACSM, 2000):




Um indivíduo realizando uma atividade de 6 METs e que tenha 70 Kg de massa corporal teria um gasto de 7,35 kcal.min-1 (6 METs x 70Kg x 3,5 200 = 7,35 kcal.min-1)

Em todos os casos, a orientação de exercícios deverá ter suas calorias computadas e a estimativa de perda de massa deve utilizar a relação de 7.700 kcal para cada quilo de gordura a ser perdido.
Segundo o próprio ACSM (ACSM, 2000), a programação de perda de massa não deveria exceder 1 kg por semana ou o equivalente a um déficit energético semanal de 7.700 kcal, incluindo a restrição alimentar e o dispêndio com atividade física.

Pela diversidade de fatores que atuam e influenciam o processo de perda ponderal, parece presunção atribuir ao gasto energético proporcionado pela atividade física os méritos exclusivos pela redução da massa corporal.
Sabe-se claramente que apesar de importante, esse gasto é apenas um dos seis benefícios proporcionados pelo exercício no processo de emagrecimento (Quadro 4) (ACSM, 2001). Mais detalhes sobre este tópico poderão ser obtidos na obra original.
Cabe, porém, alguns comentários sobre dois destes tópicos: a manutenção ou aumento do metabolismo de repouso e o aumento da auto estima, ambos proporcionados pela prática regular de atividade física.





Uma das conseqüências indesejáveis do processo de perda de massa é a redução do metabolismo de repouso, que em alguns casos pode chegar a 20 % (ACSM, 2001). Sendo considerada como uma defesa do organismo no sentido de preservar energia numa situação de privação, i.e. balanço energético negativo, os seres humanos passam a gastar menos calorias em repouso do que gastariam se estivessem numa dieta adequada do ponto de vista energético. Levando em consideração que aproximadamente 70 % das calorias gastas durante um dia são provenientes deste metabolismo, uma redução de 100 a 200 kcal por dia eqüivaleria a uma resistência do organismo a perder aproximadamente 90 a 180 g de gordura em uma semana ou 395 a 790 g de gordura por mês. Olhando para os mesmos dados de outra maneira e utilizando o mesmo exemplo de gasto energético em atividade já apresentado neste documento (caminhada a 4 km.h-1 para um indivíduo de 80 kg), esses valores representariam uma atividade diária de 24 a 48 min.




A atividade física regular possibilita a manutenção do metabolismo de repouso, parecendo ser essa adaptação aguda e não crônica (BULLOUGH, 1995). Isto significa que se o treinamento regular for interrompido, haverá uma imediata diminuição do metabolismo de repouso. Seu aumento acima dos níveis normais está associado a um aumento da massa corporal magra que por sua vez é, na maioria das vezes, conseqüência de um treinamento de força. Como as cargas iniciais para este tipo de treinamento em sedentários são mais baixas que as indicadas para um trabalho de hipertrofia e a progressão do trabalho é geralmente mais lenta, o aumento do metabolismo de repouso retarda a aparecer.




O segundo tópico a ser destacado se refere ao aumento da auto-estima, constantemente mencionado como um dos importantes benefícios da prática regular de exercícios (USDHHS, 1996). A partir da adoção de um estilo de vida ativo, é comumente relatada a modificação de auto percepção e bem estar que os indivíduos passam a experimentar. Tal mudança tende a influenciar por completo a forma de encarar a vida e conseqüentemente os hábitos deletérios à saúde, como por exemplo, uma dieta desequilibrada, tabagismo etc. Sendo assim, é muitas vezes comum que uma dieta hipocalórica, com menor quantidade de lipídeos e monossacarídeos, seja adotada quase que naturalmente, favorecendo assim um aumento do déficit energético total e consequentemente do emagrecimento. Tal aspecto tem sido muitas vezes negligenciado quando os benefícios da atividade física são considerados, apesar de sua importante colaboração. Se um indivíduo deixa simplesmente de ingerir uma lata de refrigerante (350 mL - 135 kcal) por dia, tal redução energética representaria ao final de um mês a 0,53 kg de gordura corporal.




Com base nas argumentações apresentadas, vale perguntar como se daria a perda de gordura com base no modelo matemático? Como já mencionado, o organismo estoca energia principalmente na forma de gordura. Numa situação de privação energética, como por exemplo, a que ocorre durante uma dieta, as calorias ingeridas durante o dia não seriam suficientes para atender a todas as necessidades orgânicas. Nesta situação, os estoques de gordura passariam a ser requisitados em pequenas quantidades diárias. Se esta situação permanecer por vários dias, semanas ou meses, o somatório dos pequenos gastos resultaria numa significativa diminuição da gordura corporal.




Nesse sentido, o tipo de atividade realizada não faria a menor importância para o emagrecimento. As calorias gastas durante a atividade, independentemente se provindas dos carboidratos ou lipídeos, levariam o dispêndio energético diário a uma situação superior à alcançada pela ingestão, forçando o organismo a utilizar suas reservas. Como a modificação da balança energética incluiu a atividade física, a diminuição do metabolismo de repouso seria evitada, favorecendo o processo de perda de massa.




Pela linha de discussão traçada até o momento, os exercícios anaeróbios aláticos ou láticos seriam perfeitamente orientados, desde que considerado o maior risco de lesão e uma menor chance de aderência à prática de atividade física devido à sua alta intensidade. O gasto energético dessas atividades, dependendo da duração e da intensidade, pode se igualar ou até ultrapassar os alcançados em atividades tipicamente aeróbias, uma vez que o consumo de oxigênio pós-exercício passa a contribuir consideravelmente para aumentar as calorias gastas. Para mais detalhes sobre o custo energético de diferentes atividades, sugere-se a publicação de Ainsworth et al. (1993). Em relação ao consumo de oxigênio pós exercício, os livros de McArdle et al. (2001), Powers & Howley (2004) e Wilmore & Costill (1994), entre outros, apresentam o assunto de forma bastante completa.


Conclusões e recomendações

As evidências são bastante claras no que se refere aos fatores que determinam o metabolismo das gorduras ou dos carboidratos. Talvez tamanha clareza tenha levado inúmeros profissionais a concluir erroneamente que o direcionamento do metabolismo para as gorduras seria a única forma de promover o emagrecimento.




Autores como Åstrand & Rodahl (1992), McArdle et al., (2001), Pollock & Wilmore (1993), Powers & Howley (2004) e o próprio ACSM (ACSM, 1983, 1993, 2001a, 2001b e 2000) não fazem nenhuma menção à importância de condutas relacionadas ao Modelo Metabólico. Wilmore & Costill (1994) indicaram o aparecimento, em meados da década de 80, de grupos de profissionais da fisiologia do exercício com recomendações para o processo de emagrecimento relacionadas ao modelo metabólico. Em seu livro, Powers & Dodd (1997) citam dois trabalhos relacionados a esse tipo de conduta. Apesar de inúmeros autores com considerável prestígio nem tocarem neste assunto, no Brasil, foi marcante o impacto desse modelo nas ações para perda de massa e orientação da atividade física.

As evidências aqui apresentadas não sugerem um tipo de exercício diferente do tradicionalmente prescrito para perda de massa. Independente da teoria utilizada como paradigma, um trabalho de baixa intensidade e longa duração é o recomendado, mas não com a intenção de metabolizar as gorduras, e sim por proporcionar, provavelmente, um maior prazer, maior chance de manutenção do cliente ao programa (aderência) e alcançar um gasto energético adequado (aproximadamente 300 a 500 kcal por sessão) (ACSM, 1983, 2000 e 2001b). Também é recomendação do ACSM a realização de exercícios contra resistência e de flexibilidade, de preferência nos moldes do último posicionamento dessa entidade sobre quantidade e qualidade de exercícios para adultos saudáveis (ACSM, 1998).

Quanto às recomendações para prescrição de atividade física, algumas considerações importantes se fazem necessárias:

  • com base no gasto energético, não faz a menor diferença que a atividade seja contínua ou intervalada. Isso permite que indivíduos mal condicionados, ao invés de terem que enfrentar os maçantes 40 min contínuos numa bicicleta, possam realizar quatro séries de 10 min, totalizando os mesmos 40 min e consequentemente o mesmo gasto energético. Segundo o ACSM (ACSM, 1998)

    • os estímulos fracionados deveriam ter no mínimo 8 min de duração.


    • a modificação do estilo de vida, i.e. andar mais a pé e menos de carro, usar mais as escadas etc., são importantes coadjuvantes para o sucesso do programa.

    Qual seu objetivo com a prática da musculação?